Europa

Hungria

 

Histórico

A Hungria, com uma população de cerca de 10 milhões de habitantes e uma história milenar, tem no setor vitivinícola uma das principais atividades agrícolas. Como resultado da sua enorme diversidade nesse setor, a Hungria apresenta atualmente um conjunto de 22 diferentes regiões produtoras. Observe-se que no ano de 1996 este país se posicionou em 12º lugar entre os principais produtores mundiais, com uma produção aproximada de 4 milhões de hectolitros (como termo de comparação, note-se que Portugal, no mesmo ano, produziu 9 milhões de hectolitros, ocupando o 7º lugar).

 

A história da vitivinicultura húngara foi fortemente marcada pela presença dos diversos povos que habitaram o país ao longo dos tempos. É atribuída aos romanos a instalação das primeiras adegas e das primeiras vinhas dignas desse nome nas regiões de Szerémség, Baranya e Tolnai. Mais tarde, com as conquistas de vastas zonas, feitas pelas tribos magiares (869 d.C.), das quais algumas constituem o atual território da Hungria, surgiu uma das principais regiões vitivinícolas - a de Tokaj-Hegyalja - situada no nordeste da Hungria, tornou-se ao longo do tempo uma das principais do país. Ainda hoje, a Hungria é conhecida internacionalmente pelos vinhos aí produzidos.

 

As Regiões

A região de Tokaj-Hegyalja está sujeita a uma rígida regulamentação interna que se iniciou no século XVI. Atualmente ocupa uma área total de vinha que não ultrapassa os 13.500 hectares. Encontra-se a uma altitude entre 100 e 400 metros e tem um clima tipicamente continental, caracterizado por invernos extremamente frios e verões muito quentes. A maior parte das suas vinhas está nas encostas dos montes Zemplen, junto aos rios Bodrog e Tisza. O solo é predominantemente de origem vulcânica, com uma elevada porcentagem de argila. A vindima ocorre normalmente entre o final de setembro e o início de outubro.

 

Outra importante região produtora encontra-se a cerca de 200 km a sudoeste de Budapeste, junto ao lago Balaton, que dá o nome a esta importante zona. Aí se produzem predominantemente vinhos brancos secos, extremamente aromáticos e de baixo teor alcoólico. As castas principais são: Furmint e  Hárslevelü (ambas húngaras), Chardonnay e Sauvignon Blanc. É uma zona essencialmente plana, dominada naturalmente pelo lago Balaton (maior lago da Europa Central), com um solo de características argilo-arenosas.

 

As Variedades

As principais castas utilizadas em Tokaj-Hegyalja, notadamente para a elaboração do Tokaji, são fundamentalmente as Furmint (com um elevado potencial aromático), Hárslevelü (proporciona um elegante bouquet) e Muscat.

 

Atualmente, as castas mais cultivadas são originárias da França (Chardonnay, Sauvignon Blanc, Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc, Pinot Noir) e da Alemanha (Olaszrizling, Riesling, Blaufrankisch), havendo ainda um certo desconhecimento e conseqüente utilização das castas do próprio país.

 

O Vinho Famoso

Apesar de atualmente existirem vários tipos de vinhos provenientes das diferentes regiões, a Hungria tem como mais conhecido internacionalmente o famoso Tokaji (tal como o vinho do Porto está para Portugal). Trata-se de um vinho licoroso, com uma coloração acastanhada e com um elevado grau de oxidação, podendo mesmo assemelhar-se ao vinho Jerez (produzido na região de Jerez, sul da Espanha).

 

O Tokaji é envelhecido em grandes barris, sob uma película de leveduras comparáveis à flor que podemos observar no Jerez. Há vários estilos de Tokaji, com diferentes graus de doçura. Os mais doces provêm da adição ao vinho de base de uvas com elevado grau de podridão (também designada por podridão nobre), como resultado da presença de um fungo denominado Botrytis cinerea, dando origem à formação de uma massa pastosa. Esta massa adicionada ao vinho de base é armazenada em recipientes próprios chamados puttonyos (a cada puttonyos correspondem 25 kg da massa pastosa). Nos rótulos destes vinhos encontramos obrigatoriamente o número de puttonyos adicionados (varia de 3 a 6).

 

O vinho assim obtido é então loteado e envelhecido em barris de madeira durante vários anos. Tal como o vinho do Porto Vintage, produzido a partir de uvas cultivadas em um ano de excepcional qualidade, o Tokaji Essencia reflete também este fato, já que é produzido a partir de colheitas de elevada qualidade, sendo aquele que apresenta, por outro lado, um grau de doçura mais elevado.

 

Podemos ainda encontrar outro tipo de Tokaji, designado por Szamorodni, que é obtido a partir de uvas que foram só parcialmente afetadas pela Botrytis cinerea.

 

Outros Vinhos

Em relação aos vinhos tintos, a principal região vitivinícola localiza-se a noroeste, designada por Villány-Siklós. É uma zona que, por estar rodeada por um conjunto de montanhas, permite a existência de um microclima similar ao mediterrâneo.

 

Os vinhos tintos aí produzidos são de elevados teores alcoólicos, encorpados e capazes de um envelhecimento mais ou menos acentuado. As castas mais utilizadas nesta região são Kadarka, Blue Portugais (consideradas castas tradicionais), Merlot, Blue-Frankish, Zweigelt, Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon.

 

Nos últimos anos, nomeadamente na década de 90, vários vinhos húngaros, ditos de mesa, têm sobressaído. Tal fato reflete muito dos investimentos realizados neste setor, principalmente oriundos da França e da Itália.

 

Apesar das grandes transformações sociais, políticas e econômicas que no final da década de 80 se iniciaram e que ainda hoje se fazem sentir, o setor vitivinícola assume-se na agricultura como um dos de maior potencial de crescimento. Este só será possível através de uma aposta cada vez maior nas castas nacionais, assim como na modernização e implementação das tecnologias de vinificação.

 

 

 

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Outubro 2014